Declaro-me dependente... de boa música...
Regresso a Kings of Convenience... um ano e pouco após a Suay me ter apresentado estes noruegueses no Cascais Jazz Fest...
Com a melhor música deles (Misread),
também me apresentei no dia seguinte, a esse concerto, a uma Mulher fascinante que tomou conta dos meus dias e noites no Verão passado... depois, tomei o norte como rumo... rejeitei o país central que ela (do Sul) me quis oferecer... provavelmente porque «I could never belong to her» (como em Boat Behind)...
Hoje recordei com a longínqua Suay, o belíssimo momento de improvisação que os Kings nos deram no ano passado pelo facto de não terem guitarras de reserva... e relembrei com a Catw, antes de entrarmos, as peripécias dessa noite na Cidadela de Cascais... a minha Amiga só desejava ser surpreendida... e creio que o fomos... positivamente...
Duas horas... que começaram com vozes «quase à capela»... há quem relembre Simon and Garfunkel...
por mim, dificilmente encontro dois outros artistas que se complementem tão bem quanto estes...
A parte final foi seguramente a mais interessante... pelo meio, temos uma incursão do excêntrico Erlend Øye até meio de um Coliseu repleto e surpreso com a proximidade... e a substituição das palmas pelo estalar de dedos, a pedido dos artistas...
Navegamos entre os álbuns anteriores e o seu mais recente Declaration of Dependence e passada uma hora de actuação, entram em cena o soberbo violinista Tobi (devia actuar a solo, tal é qualidade) e o contra-baixo Davide...
Surge o pedido para todos se levantarem das cadeiras e daí até ao fim, o verdadeiro espectáculo, com a interpretação de Boat Behind (a minha preferida do último trabalho)
o já referidoMisread, passando pelo não menos conhecido I'd rather dance with you, com o público a ser convidado a saltar para o palco e a rodear os músicos num acompanhamento fantástico e com Øye (sempre ele) a dançar e a fazer dançar todos os que o rodeiam, colocando a plateia em êxtase, quando se desligam as luzes do palco a seu pedido e todos cantam a uma só voz...
Depois os encores... com o habitual Corcovado e mais um brilharete com o não menos habitual número de trompete humano de Øye...
Por fim, terminamos com Cayman Islands e uma vez mais, o «rapaz dos óculos» a correr toda a sala duma ponta à outra e a saírmos satisfeitos por mais uma noite de boa música...
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Geniales ao quadrado
Esta foi noite de Kings... mas não resisto a replicar o que acabei de descobrir... ainda sobre a noite de terça...
Um dos melhores momentos de Gonzales na Culturgest...
Genial!
Um dos melhores momentos de Gonzales na Culturgest...
Genial!
Quadro do Mister:
In Concert,
Life's OST
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
In extremis Gonzales
Continuando nesta senda/semana fabulosa de pianos... chego a Gonzales...
Esgotado, mas a conseguir bilhete no próprio dia e a conseguir «despachar» o já requisitado para Skunk Anansie...
A curiosidade para assistir a um espectáculo tão comentado nos circuitos alternativos... falou mais alto... e não dei por mal empregue o meu tempo e a determinação em estar presente (sinal que quando quero... vou!).
Repito a sala de sábado (Culturgest), repito a fila (será que desistem destas apresentações por se darem conta que estão na primeira?), repete-se o piano lindíssimo...

O espectáculo é totalmente diferente... Solo Piano, mas...
Gonzo apresenta-se de roupão!?! e os seus tradicionais chinelos... faz-me lembrar sem o cabelo cheio do habitual gel, o Manuel João Vieira :)
O alinhamento inicia-se com Gogol...
Após três músicas, começa a verdadeira interacção nonsense com o público, primeiro classifica-se:
«Eu já fui candidato a um Grammy, eu estou no Guiness (27 horas consecutivas a tocar piano) e sim, sou um egocêntrico... e nós, os artistas, não somos todos?»
Depois, explica o seu desgosto pelo uso e abuso de major notes (as alegres) que são, segundo ele, as mais fáceis, falsas e ilusórias... prefere as minor (eu também) por serem mais cruas, mais fortes...
(quem tiver interesse, no seu DVD «From Major to Minor», tudo aparece melhor retratado)...
Segue-se o ódio pelo laranja, por ser a cor da Easyjet, pelos vistos a companhia de eleição?!?
E daí partimos para um clapping hands soberbo sob a sua direcção... passamos por peças fantásticas...
Assistimos a uma world premiére com o seu novo rap «Grudge» tocado ao piano...
e chegamos a mais um momento alto da noite... o famigerado «Singalong» com o público a entoar a duas escalas? o «hmmmmmmmm»...
Daí ao seu êxito «Take me to Broadway» é um passo...
Chegam os encores... um miúdo provoca-o, pergunta se consegue tocar «Eye of the tiger»... diz que não se lembra, mas nem hesita... uma segunda nota falhada... recomeço... e daí em diante até ao final... de espanto!
Finalmente, chama uma qualquer Pilar do público (que não se vai esquecer, nem da actuação nem da pronúncia de Gonzales) para ser ela a tocar uma música de duas notas enquanto Gonzo canta mais um rap e finaliza uma actuação genial, com o público a acompanhar sem necessidade de ter sido requisitado, com o tal «hmmmmmmmm»...
Um entertainer puro!
Esgotado, mas a conseguir bilhete no próprio dia e a conseguir «despachar» o já requisitado para Skunk Anansie...
A curiosidade para assistir a um espectáculo tão comentado nos circuitos alternativos... falou mais alto... e não dei por mal empregue o meu tempo e a determinação em estar presente (sinal que quando quero... vou!).
Repito a sala de sábado (Culturgest), repito a fila (será que desistem destas apresentações por se darem conta que estão na primeira?), repete-se o piano lindíssimo...

O espectáculo é totalmente diferente... Solo Piano, mas...
Gonzo apresenta-se de roupão!?! e os seus tradicionais chinelos... faz-me lembrar sem o cabelo cheio do habitual gel, o Manuel João Vieira :)
O alinhamento inicia-se com Gogol...
Após três músicas, começa a verdadeira interacção nonsense com o público, primeiro classifica-se:
«Eu já fui candidato a um Grammy, eu estou no Guiness (27 horas consecutivas a tocar piano) e sim, sou um egocêntrico... e nós, os artistas, não somos todos?»
Depois, explica o seu desgosto pelo uso e abuso de major notes (as alegres) que são, segundo ele, as mais fáceis, falsas e ilusórias... prefere as minor (eu também) por serem mais cruas, mais fortes...
(quem tiver interesse, no seu DVD «From Major to Minor», tudo aparece melhor retratado)...
Segue-se o ódio pelo laranja, por ser a cor da Easyjet, pelos vistos a companhia de eleição?!?
E daí partimos para um clapping hands soberbo sob a sua direcção... passamos por peças fantásticas...
Assistimos a uma world premiére com o seu novo rap «Grudge» tocado ao piano...
e chegamos a mais um momento alto da noite... o famigerado «Singalong» com o público a entoar a duas escalas? o «hmmmmmmmm»...
Daí ao seu êxito «Take me to Broadway» é um passo...
Chegam os encores... um miúdo provoca-o, pergunta se consegue tocar «Eye of the tiger»... diz que não se lembra, mas nem hesita... uma segunda nota falhada... recomeço... e daí em diante até ao final... de espanto!
Finalmente, chama uma qualquer Pilar do público (que não se vai esquecer, nem da actuação nem da pronúncia de Gonzales) para ser ela a tocar uma música de duas notas enquanto Gonzo canta mais um rap e finaliza uma actuação genial, com o público a acompanhar sem necessidade de ter sido requisitado, com o tal «hmmmmmmmm»...
Um entertainer puro!
Quadro do Mister:
In Concert
terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Desistir de nós
Se eu voltasse atrás, o que faria?
Podia fazer tudo o que não fiz
poderia querer tudo o que não quis
sabendo, embora, que nada mudaria.
O destino decidiu o que seria
Falaste como fala uma boa actriz,
guião desenhado no quadro a giz
e disseste-me adeus, e chovia.

Percebo bem que não foste sincera.
O que ia acontecer era o que era
e um adeus não tem de ser desistente.
Mas se penso em ti e quero mudar
a vida não recua, está sempre a andar
e desistir de nós estava à nossa frente
Luís Naves
Com a devida licença e agradecimento ao Luís Naves (jornalista e blogger Corta-fitas e As penas do flamingo), publico este seu escrito brilhante que se adequa a tanta história...
Podia fazer tudo o que não fiz
poderia querer tudo o que não quis
sabendo, embora, que nada mudaria.
O destino decidiu o que seria
Falaste como fala uma boa actriz,
guião desenhado no quadro a giz
e disseste-me adeus, e chovia.

Percebo bem que não foste sincera.
O que ia acontecer era o que era
e um adeus não tem de ser desistente.
Mas se penso em ti e quero mudar
a vida não recua, está sempre a andar
e desistir de nós estava à nossa frente
Luís Naves
Com a devida licença e agradecimento ao Luís Naves (jornalista e blogger Corta-fitas e As penas do flamingo), publico este seu escrito brilhante que se adequa a tanta história...
Quadro do Mister:
Poesia de balneário
Mágico Einaudi - Nightbook Tour
E pensar que descobri este artesão da melodia apenas na leitura da Time Out da passada quarta-feira...
Ao final do dia estava a comprar dois dos seus trabalhos (03-03-03 e o seu último Nightbook)... e um ingresso para uma noite mágica, como a de hoje...
Começamos pelo silêncio da escuridão... um foco que se acende... um violinista que desce os degraus do auditório a tocar algo tão lento quanto surpreendente... novo som surge do outro lado da sala... mais um músico e seu violino que se encaminham para o palco... e outro ainda... já são três... a que junta um cello muito bem tocado... falta a electrónica, não menos importante, apesar de subtil na música de Ludovico...
Finalmente o mestre... e Lady Labyrinth tocada de forma esplendorosa... um violino dá lugar a uma pandeireta com um som magistral... e outro, lugar a uma viola... e depois a uma segunda versão solo do pianista...
Iniciam-se duas horas fantásticas de música... algumas vezes minimal, outras vezes tão abrangentes que nos preenchem sempre... como os Amigos...
Aprecio cada segundo, cada som, cada movimento das luzes magnificamente conduzidas e, sente-se, muito bem estudadas...
Não há pormenor que escape à condução de Einaudi... após hora e meia de apresentação... quase ininterrupta... a culminar com um arrebatador Eros sempre em crescendo e mais uma vez um jogo de luzes de pasmar...
Uma pausa mais longa, para a ovação mais que merecida e o retomar para mais meia hora que nos delicia...
a terminar com mais um crescendo The Tower
(apesar desta gravação não ter a sonoridade da sala do CCB, aqui fica)
Nightbook é, para mim, o álbum do ano com todas as músicas com uma carga cinemática muito intensa, a banda sonora para quem quer sonhar de ouvidos bem abertos...
No pics allowed em qualquer dos concertos desta semana... fica ainda a humildade de um artista que se predispõe a um autógrafo depois de uma noite destas...

«Cada noite é singular, porque nunca sonhamos duas vezes da mesma maneira»,
Ludovico Einaudi dixit
Ao final do dia estava a comprar dois dos seus trabalhos (03-03-03 e o seu último Nightbook)... e um ingresso para uma noite mágica, como a de hoje...
Começamos pelo silêncio da escuridão... um foco que se acende... um violinista que desce os degraus do auditório a tocar algo tão lento quanto surpreendente... novo som surge do outro lado da sala... mais um músico e seu violino que se encaminham para o palco... e outro ainda... já são três... a que junta um cello muito bem tocado... falta a electrónica, não menos importante, apesar de subtil na música de Ludovico...
Finalmente o mestre... e Lady Labyrinth tocada de forma esplendorosa... um violino dá lugar a uma pandeireta com um som magistral... e outro, lugar a uma viola... e depois a uma segunda versão solo do pianista...
Iniciam-se duas horas fantásticas de música... algumas vezes minimal, outras vezes tão abrangentes que nos preenchem sempre... como os Amigos...
Aprecio cada segundo, cada som, cada movimento das luzes magnificamente conduzidas e, sente-se, muito bem estudadas...
Não há pormenor que escape à condução de Einaudi... após hora e meia de apresentação... quase ininterrupta... a culminar com um arrebatador Eros sempre em crescendo e mais uma vez um jogo de luzes de pasmar...
Uma pausa mais longa, para a ovação mais que merecida e o retomar para mais meia hora que nos delicia...
a terminar com mais um crescendo The Tower
(apesar desta gravação não ter a sonoridade da sala do CCB, aqui fica)
Nightbook é, para mim, o álbum do ano com todas as músicas com uma carga cinemática muito intensa, a banda sonora para quem quer sonhar de ouvidos bem abertos...
No pics allowed em qualquer dos concertos desta semana... fica ainda a humildade de um artista que se predispõe a um autógrafo depois de uma noite destas...

«Cada noite é singular, porque nunca sonhamos duas vezes da mesma maneira»,
Ludovico Einaudi dixit
Quadro do Mister:
In Concert
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
domingo, 1 de Novembro de 2009
Solo e não só
Dei-me conta ontem que ouço António Pinho Vargas desde 1983...
Nunca pensei que já tivesse passado tanto tempo...desde que pela primeira vez ouvi a «Dança dos Pássaros», ou que «Tom Waits» desde 87... e pensar que ouvi alguns destes acordes com apenas 10 anos...
Uma noite «Solo» ao piano na Culturgest, com um vulto da nossa música, muito pouco reconhecido para a obra que produziu...
Os anos passaram e Pinho Vargas não os disfarça, mas mantém a sua timidez... com uma entrada em palco... a dizer:
«Desculpem, mas tenho de ir lá dentro fazer uma pergunta...»
Desculpado... porque mal se senta ao piano, inicia quarenta minutos sem pausas, apenas com a chegada ao quase silêncio entre notas...
depois... retoma o microfone, para transmitir o alinhamento, sempre com imenso humor, o que não é fácil para uma apresentação destas, para mais na «na casa da amante» (a expressão é de António Mega Ferreira, responsável pelo CCB, onde os discos «Solo» foram gravados)...
e os amantes de boa música ovacionaram uma vez mais de pé, inúmeras vezes...
Destaco a excelente versão de «Que amor não me engana» de José Afonso... Beautiful...
Os dois encores (dificilmente alguém baterá Mehldau)... sustentaram um concerto fantástico em que muitas vezes me apeteceu fechar os olhos e mergulhar apenas no som...
E pensar que quase não chegava a tempo... porque o fim de tarde também foi um deleite para os sentidos, na boa companhia da minha Amiga Catw, tendo o Miradouro de S. Pedro de Alcântara como cenário

e Mojitos efervescentes a acompanhar, pudemos ouvir um violão tocar bossa nova, com uma voz de quase Caetano...
O repasto no Bairro serviu para retemperar e a corrida entre destinos (28 minutos para o percurso Bairro Alto-Massamá-Culturgest deve ser quase recorde mundial!) para relembrar velhos tempos...
Sem stress, como diz a Catw, um minuto antes do início do espectáculo... estávamos sentados, com o piano como pano de fundo...

Next stop... Ludovico Einaudi...
Nunca pensei que já tivesse passado tanto tempo...desde que pela primeira vez ouvi a «Dança dos Pássaros», ou que «Tom Waits» desde 87... e pensar que ouvi alguns destes acordes com apenas 10 anos...
Uma noite «Solo» ao piano na Culturgest, com um vulto da nossa música, muito pouco reconhecido para a obra que produziu...
Os anos passaram e Pinho Vargas não os disfarça, mas mantém a sua timidez... com uma entrada em palco... a dizer:
«Desculpem, mas tenho de ir lá dentro fazer uma pergunta...»
Desculpado... porque mal se senta ao piano, inicia quarenta minutos sem pausas, apenas com a chegada ao quase silêncio entre notas...
depois... retoma o microfone, para transmitir o alinhamento, sempre com imenso humor, o que não é fácil para uma apresentação destas, para mais na «na casa da amante» (a expressão é de António Mega Ferreira, responsável pelo CCB, onde os discos «Solo» foram gravados)...
e os amantes de boa música ovacionaram uma vez mais de pé, inúmeras vezes...
Destaco a excelente versão de «Que amor não me engana» de José Afonso... Beautiful...
Os dois encores (dificilmente alguém baterá Mehldau)... sustentaram um concerto fantástico em que muitas vezes me apeteceu fechar os olhos e mergulhar apenas no som...
E pensar que quase não chegava a tempo... porque o fim de tarde também foi um deleite para os sentidos, na boa companhia da minha Amiga Catw, tendo o Miradouro de S. Pedro de Alcântara como cenário

e Mojitos efervescentes a acompanhar, pudemos ouvir um violão tocar bossa nova, com uma voz de quase Caetano...
O repasto no Bairro serviu para retemperar e a corrida entre destinos (28 minutos para o percurso Bairro Alto-Massamá-Culturgest deve ser quase recorde mundial!) para relembrar velhos tempos...
Sem stress, como diz a Catw, um minuto antes do início do espectáculo... estávamos sentados, com o piano como pano de fundo...

Next stop... Ludovico Einaudi...
Quadro do Mister:
In Concert
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